16.7.08

devaniando pelos cantos. perdida, só, aflita. como se não fosse coisa o que tanto me perturba. destruição anunciada. passos largos, angustiada. se vai o sono e as olheiras permanecem. como sombras espalhadas pelo rosto. ferida aberta. porque muito sinto e palavras não exprimem o que acontece em meu peito. ventre se contorce, corrompe. é tudo como sempre foi, mas agora é bem diferente. já não sou mais a menina vadia que andarilhava pelas ruas. já não me pertenço, embora seja tão minha. tavez seja essa a angústia. começar a criar raízes. fincar o pé e virar na cama. porque sem você parece que falta alguma coisa. tudo parte emendada e já grudada. porque sem você o dia passa lento, as buzinas ressonam e é tudo atormento. pompéia perde um tanto da graça e a cidade fica assim, meio insosa. é que na verdade, ao seu lado, a vida ganha asas e eu me perco encontrada.

14.6.08

como a luz que transforma tom e cor. transbordou em mim e iluminou. turbilhão, fervilhação. já é dia e em meu peito brotam flores da primavera. reverberam suas palavras em meu ouvido. clara, leve, flutuante, límpida. redescobrindo em mim sensações já amainadas e um tanto escondidas. é tudo seu, nosso, meu. o quarto que expande junto com nosso gozo. tão real e sublime. tanto esperado e cultivado. meus dias ganharam cheiro de amêndoa. meu sorriso faz sentido e vai certeiro na sua direção. era você eu nem sabia... aliás, quem saberia disso tudo? quem diria? foi tudo tão de repente. surpreendente, envolvente. e agora fico aqui contando os minutos. querendo mais alguns segundos. essa querência que me inebria. espasmos perdidos no tempo e espaço. caso de acaso. eu, você, respiração. só sei que meus pés não tocam mais o chão. simples como asa de borboleta. amarelada com sol raiando. é assim, toda imensidão em mim.

6.6.08

é como se eu já não sentisse mais nada. parece que parou o tempo e desfolharam todas as árvores que me abrandavam. outono em mim. primavera em meu ventre. sangue quente, quase fervilhante. aquele constante arrepio na espinha. meus gestos vagos. o dia que já vem noite clareando. ou clareou tudo e eu nem percebi. sempre há noite em mim. dois pesos e muitas medidas. o rumo dos meus anseios. aprumo, aconchego. carinho gostoso do seu abraço. respira, alucina. noturna e sóbria. lavada de qualquer limite. perdida em pensamentos eliptícos. é como se tivessem acionado todo o mecanismo. querência constante nem sempre consentida. e eu conto as horas e nada muda. mas já se transformou tudo depois daquele momento. não há medidas pro que quero viver, ao seu lado, sempre. é tudo tão tão, que é quase um devaneio. sonhos de amplidão. porque quando encostei minha boca no seu dente, tudo tomou forma e cor e luz. foi assim tão simples e perene que até a chuva desabou. desabando junto o mundo em mim. sou toda devastação. sou toda a peste de outros tempos. sou sua perdição.

1.6.08

repensar os meus dias. um passo e um ponto. fechar a porta. abrir novo caminho. estender a mão pedindo paciência e consolo. entorno de dias frios e madrugada tangente. dormir até os olhos abrirem. mudar a roupa. lavar a alma. respirar o cheiro da loucura que não cessa. é, está na hora. novos rumos e nenhum olhar. de repente, tudo se alumiou. foi o tempo do tempo sem sol. ventania, utopia. como se fosse eu e nada mais importasse. só eu e meus anseios. é, assim, recomeçar tudo de novo!

29.5.08

mãe preta moderna!



proteção vem até por email hoje em dia...
viva a tecnologia!

16.5.08

é porque eu estou me reestabelecendo. não adianta, faz parte de todo conteúdo e contexto. criador e criatura. meu ventre se contorce. já não sou, apenas. é mais que eu. não sou mais aquela ou a outra. sou tantas que não cabem em mim. cuspo eu. cheiro eu. lambo eu. de mim brotam tantas que parece um devaneio. cada dia uma nova. somos todas, conversamos, nos entendemos. cada uma tem seu momento. o bom disso tudo é que quando faço alguma coisa que me arrependo, digo, ah, não era eu... era ela ou aquela. porque nem eu mesma me compreendo. e pra falar a verdade, tem dias que eu não me suporto. e não suporto nenhuma delas. nesses dias é necessário muita naftalina pra encrustar a ferida. naftalina é bom que impregna. não sai nem com água e sabão. eu gosto de coisas impregnantes. as vezes elas me irritam um pouco, mas eu gosto. odeio que me cobrem. já me cobram de um tudo, precisa me cobrar amor, não. amor eu dou pra quem eu quero, quando quero, como eu quero. é, eu sei, eu sou chata mesmo. mas não pedi pra me suportar. aliás, não pedi pra suportar nenhuma de mim. hoje em dia, basta que eu seja qualquer uma que eu quiser. é só isso. não me perturbe.

4.5.08

email de amiga

Amiga Gê querida me enviou essa frase por email há uns dois anos, disse que quando leu se lembrou na hora de mim. Todo esse tempo depois eu ainda tenho que concordar, essa frase continua sendo minha cara!

"Quando estou a fim de fazer besteira, quase nada pode me segurar."
Dita por Orson Welles, pouco antes de conhecer Rita Rayworth em "A Dama de Shangai".

não adianta o cabelo desgrenhado. também não resolve o sapato desamarrado. ela continua emanando sonhos e possibilidades. assim, só por ser. assim mesmo, só por se ter. como se ela só precisasse mesmo dela. ela se basta. ela se completa. tão só e cheia e plena que atiça os sentidos de quem passa por ela. parece dor ser resolvida. parece que lhe pesa nos ombros os caminhos traçados. argila seca, redemoinho. tão cheia de si que até se sabota um pouco. mesmo sem perceber o auto flagelo. não tenta se mostrar vulnerável. não se permite ser de nervos e ossos. fingi ser de ferro, até que desmorona. mas cai com a classe de cair sozinha, escondida, morimbunda. ninguém a vê chorar. não tolera a compaixão por ela. mesmo com toda sensiblidade que existe dentro dela, quem a conhece acredita que é de pedra. pobre menina, perdida em seus devaneios. já não sabe mais o que é dor a dor que deveras sente.

2.5.08

é por me perder que vou me encontrando. cada passo um atropelo. resfolegante, ultrajada. arrependida e um tanto amargurada. foi o tempo que a música ardia em labaredas. foi o tempo que tudo era igual a tudo. agora, em mim, só vazio e complascência. deixei o rumo. a deriva, inconstante. como se fosse assim e só e coisa. não sendo nada, apenas. existir é uma dor constante.

30.4.08

Acontece

Esquece o nosso amor, vê se esquece.
Porque tudo no mundo acontece
E acontece que eu já não sei mais amar.
Vai chorar, vai sofrer, e você não merece,
Mas isso acontece.
Acontece que o meu coração ficou frio
E o nosso ninho de amor está vazio.
Se eu ainda pudesse fingir que te amo,
Ah, se eu pudesse
Mas não quero, não devo fazê-lo,
Isso não acontece.

* Cartola

* Esquece... Vê se esquece!

24.4.08

jardim botânico















17.4.08

inebriada/escarlate/desinibida/incontida/flufiante/borbulhante/inconstante/circulante/resfolegante/ofegante/insône/desarmada/aliviada/sonhadora/amigável.
nua e crua.

permito que me tenhas e quero sua existência em mim.

havia esquecido o quanto seu corpo é delícia. seu cheiro ventania.

agora eu quero tudo que deixei pra trás. quero seu corpo, sua pele e sua boca.

é assim, porque é do seu fogo que eu tiro meu sustento!

Me Deixas Louca

Quando caminho pela rua lado a lado com você
Me deixas louca
E quando escuto o som alegre do teu riso
Que me dá tanta alegria
Me deixas louca

Me deixas louca quando vejo mais um dia
Pouco a pouco entardecer
E chega a hora de ir pro quarto escutar
As coisas lindas que começas a dizer
Me deixas louca

Quando me pedes por favor que nossa lâmpada se apague
Me deixas louca
Quando transmites o calor de tuas mãos
Pro meu corpo que te espera
Me deixas louca

E quando sinto que teus braços se cruzaram em minhas costas
Desaparecem as palavras
Outros sons enchem o espaço
Você me abraça, a noite passa
E me deixas louca

* A. Manzanero - Versão: Paulo Coelho

** sim, sim. me deixas louca, meu bem!

16.4.08

já contei nos dedos as vezes que meu coração palpitou por ti. incrível, mas é você se manifestar que o mundo revira. coração na boca. garganta, língua e saliva. seu olhar e toda tempestade que ele me causa. desde que me ligou estou aflita, pensando como vai ser esse reencontro. contorno-entorno de mim. de nós. noites em claro na rede. sangue quente. estranha combinação. cerveja pra mim, pinga talvez, você vinho tinto. almoço, jantar e café da manhã. te devoro todinho só em pensamento. mordo a carne. cuspo na cara. você é meu vício. macabro. destrato. paixão.

8.4.08

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada


Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive


E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada


Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar


E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

3.4.08

fazendo arte com a arte





interagindo com a cow parade rio.
vaca de copacabana, que ficava na esquina da av. atlantica com a bolívar, em frente ao copa café.

27.3.08

tem momentos que são inevitáveis. sentimentos que são imutáveis. pessoas que chegam e tomam um espaço gigante sem nem pedir licença. outras que estiveram sempre por perto e não significam nada. a verdade é que não escolhemos nada. as coisas acontecem com uma vontade irremediável. a vida muitas vezes nos atropela sem dar alternativas. apenas finjo que me navego, mas "quem me navega é o mar".

25.3.08

camila:

o tempo não pára, nunca. respira, alucina. vibra. cheira. só não perde jamais a paciência!





é assim que a gente fica quando a gente se tromba nessa vida...
mineirada é foda, viu!

18.3.08

Indo um pouco mais além, não que o papo tenha sido assim, mas bem que poderia...

Clarice Lispector
Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou a minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. "O amar os outros" é tão vasto que inclui até o perdão para mim mesma com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto.

Alice Ruiz
que importa o sentido
se tudo vibra?

Clarice Lispector
Sempre me restará amar. Escrever é alguma coisa extremamente forte mas que pode me trair e me abandonar: posso um dia sentir que já escrevi o que é meu lote neste mundo e que eu devo aprender também a parar. Em escrever eu não tenho nenhuma garantia.
Ao passo que amar eu posso até a hora de morrer. Amar não acaba. É como se o mundo estivesse a minha espera. E eu vou ao encontro do que me espera.

Alice Ruiz
já estou daquele jeito
que não tem mais concerto
ou levo você pra cama
ou desperto

Camiles
Não sou de metades...
Sou plena, cheia, inteira, redonda...
Sou elevada ao cubo!

Alice Ruiz
já não temo os fantasmas
invoco a todos
que venham em bando
povoar meus dias
atormentar minhas noites

entre tantos
loucos e livres
existe um
que é doce
e que me falta

Clarice Lispector
O que me tranqüiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição.

Camiles
essa mania de querer
ainda vai me deixa louca
quero tudo, sua pele,
seu beijo, sua boca.