31.7.07

minha mais nova piração!!!









estou pirando em arte fractal, que conheci por intermédio do rato. ele faz da forma aleatório, no paint, com fragmentos e fragmentos cada vez menores de uma imagem inicial. mas eu estou baixando uns programinhas de cálculos pra tentar fazer algum. não, eu não fiz nenhum desses, só os baixei da internet...

30.7.07

fractal



irrita tanto. minha altivez e maneirismo. esse maldito tique nervoso. boca de sapo, boca de coelho. aqui, escandalizada, me corroendo. como se não fizesse metade de nada. que foi simples, fácil e puramente banal. superficialidade nos entornos. contornos de um corpo marcado de vida. borbulha, inflama, chama. cada cicatriz que eu não vejo. irrita. essa minha morte mal morrida. imperceptibilidade e cegueira. complascência. passando por cima de qualquer sentimento. aniquilando em mim o que há de mim. incomoda a minha leseira. essa cara de tacho mal amarrada. estupidez e demência. mordo o lábio, aperto os dedos. pra ver se fica um pouco mais fácil. irrita muito. você e sua pasmaceira. olhar desviado e riso de nabo. fingindo ser o que já não é. só pra ver a minha cara de otária. não desce, nem com shot, nem com golada. fica ali. enlatado, incruado, dissimulado. um passo e um arremesso. as chuvas da tempestade. e por isso eu me amaldiçou. corto a carne. estampo a boca. passo o pano em tudo que aparece. bebo os litros da dispensa. até uma tal coisinha que me deixa de pernas pro ar. perco a festa. estrago o vestido. isso me tira do sério. ainda mais porque permaneço intacta. como se tudo fosse nada. como se não houvesse limites. mas há, sempre é limítrofe. como meu amor.

29.7.07

A gente é feliz pra caralho!!!!!!


no começo, ainda tava todo mundo bem...


chiquérrimas!


blá, blá, blá...


família!


a...


..mor!


fica aí, beee!


hein?


tudo gente boa!


maridas!


amigos


adouro!


drinks!


dançando!


muito!

pára de falar e dança!


ouiéééé!


se joga, beee!


samba gringa louca!


glut, glut, glut!


querida demais!


a conta????? não, ainda não...


alê: jura???
camis: mas é...
geisa: onde tá a máquina????



ãh, que foi marida???


u-hu!!!



colocón trasheira!

25.7.07

Resurrección
(Banda Amaral)

Siento que mi alma se encuentra perdida
que se junta la noche y el día

Siento que si te veo
terremotos recorren todo mi cuerpo

Haces que se vaya mi melancolía
me devuelves de nuevo a la vida

Antes de llegar siquiera a conocerte
mucho antes ya te quería
como algo inalcanzable
así así así así te quería

Haces que se vaya mi melancolía
me devuelves de nuevo a la vida
tu haces que se vaya mi melancolía
me devuelves de nuevo a la vida

Quiero un mundo nuevo
mi corazón no lo compra el dinero
quiero palmas que acompañen a mi alma

Haces que se vaya mi melancolía
me devuelves de nuevo a la vida
tu haces que se vaya mi melancolía
me devuelves de nuevo a la vida
me devuelves de nuevo a la vida

14.7.07

rastro de luz. um ato, um erro, um momento. o tempo do tempo cheio de alumiações amarguradas. a vida passa com tamanha desenvoltura que quase escorre por meus dedos. a mesma velocidade do relógio que marca meu dia e meu anseio. sozinha e desenrolada. olhar pleno, inteiro. como se fosse daqui o tempo inteiro. como se conhecesse tudo e todos desde sempre. enraizada, agarrada, enlameada. era isso e eu não sabia. cabeças, corpos, bocas. sensualidade de movimento. é um assopro e um estrondo. chuva fina que praticamente não molha. e são tantas ondas, movimentos e águas que ainda fico admirada. é a vista realmente vale a pena. teve a intensidade do meu descobrimento. assim, se refazendo e renascendo, renovado dentro de mim.

10.7.07

mais velha, mais sábia, mais forte e mais feliz...
com alguns quilos de cremes a mais na bolsa.
uma mulher completa sabe a alegria do amadurecimento!

então vamos pra vida...

se joga, colocón!

todo mundo tem o direito de relaxar os dias e aliviar a vida nas paisangens do recife.

3.7.07

a vida é tão estranha, não é? voltas e voltas e meu corpo permanece estável. saracoteia sem dar um passo. incrível isso. essa falta de pestanejar. é tão sem que já não se sabe quando. e quando quanto, já tudo sendo. e a gente vai vivendo, não importa a soma. não importa o quanto custe ou isso te assombre. o que vale é que a gente vai vivendo, querendo, sendo. meio bicho, meio mato. um tanto daquilo que ficou no passado. mais um tanto que se adiciona nos meados. é tão você e tão eu que já não se sabe nada. é a vida e é um risco. lusco-fusco e assobio. sou eu com meu passo torto. é meu grito e estrondo. é o vento e a amplitudão. clarão de noite que me atormenta. tão vago e pleonasmo. tão gostoso e cheiroso. é seu corpo, luz do dia. e vai passando de um tudo. assim, como se fosse cineminha. é tão estranha essa loucura toda, não é? mas as rosas... essas desabrocharam amarelas...

sim, agora eu tenho duas identidades. dois nomes de trabalho. um básico, de sempre, pra tudo e de um tudo, nome de batismo, escolhido pela minha irmã e que eu nada pude fazer. falta o pedacinho do nome da mãe, mas eu realmente acho mais sonoro sem ele, camila andrietta. e hoje surgiu de minha imensa criatividade o nome que eu tinha que escolher há dias e não dava conta, camiles terzi, meu nome de guerra!

29.6.07

mulheres - neuroses e tpm


congruente e exato de acaso. destilado, engarrafado e engedrado. sei que é só e coisa e nada mais me sufoca. cuspo trovoadas na amplitude. permaneço serena e atada. calada e com olhos de ressaca. é o caminho que se segue e o movimento faz parte. tudo acontece com uma precisão absurda. nada é devaneio. há uma razão de ser. sempre há uma razão em ser. apenas.

23.6.07

encontrar-te. duas da manhã. táxi sem troco. você ali, de pé na porta, me olhando. cabelos curtos... óh! cadê seu cabelo desgrenhado???? aquele mesmo que eu gostava tanto. levei um momento pra assimilar. claro que não pude esconder a cara de reprovação. alguma coisa ficou mais saliente. não sei a maçã do rosto aflorou. a taça de vinho. tinto e sanguinário. taça cheia, mente vazia. poucas palavras e muitas línguas. uma, duas, dez. percorrendo o milimétrico espaço do meu desejo. gozo e sussurro. rubror, rumor. gosto pastoso de vinho misturado com beijo. delírio. escadas. casa nova. quase vazia. móveis desabitados. espaços isolados. bandeiras juninas. hora e meia e nós ali. intactos de nós mesmo. eu tão tu e você quase eu. iluminuras de abraço. magnético espaço. escadas. luz da lua. quarto só de colchão e muitos filmes que não consigo ler quais são. eu e minha cegueira noturna, que não impede que veja seu rosto de querência. tirar as botas. sensualidade no movimento. aprendizado. descoberta do que sabia sem ter assimilado. corpo todo e mais vinho. meu, só meu. noite longa. sem hora pra acordar. conversa sobre ruas e infância. seu sorriso e um afago. sim, eu quero mais cobertas. sim, me cobre com seu corpo. você assim, tão quentinho. também não tenho coragem de deixá-lo sozinho no restinho da noite. a mesma dúvida que você teve. chuva de moedas. brilha com tamanha desenvoltura que é quase banal sua luz. como se fosse normal essa beleza toda. fora o atributo que lhe é particular. recém chegado na cidade. ainda bem que ninguém sabe da sua fama. e eu também não vou contar. olhos bailando na órbita. aconchego. laço de abraço. nós dois e uma só coberta. eu, você e um quarto fumegante.

22.6.07

destesto admitir, mas sinto um tantinho de medo. até porque foi tão de surpresa. eu já nem imaginava mais. também muda tudo a todo tempo, não é? como sempre, transbordando arrepios com palavras. insistindo em me tornar civilizada. minha boca maior que o mundo. e olha que o caboclo avisou. mas dei ouvido não, como nunca dou. já tinha virado chacota, piada, anedota. eu, tão bofe que ainda me espanto. mas deste asas aos meus vôos. e agora fico aqui, batendo a ponta dos dedos na mesa. cara de coelho, fazendo boquinha. pior é que é tudo tão inconsciente. juro mesmo. foi a conversa com a marida que me deu essa noção. cansei das pessoas. cansei dessa maldita democracia da sociabilidade. cansei de ter que ficar com o rosinha porque eu quero o vermelho e alguém quer o branco. cansei desse jogo e todas as articulações. cansei de medir e pesar as palavras. eu quero cuspir todas as ogruras que me venham na mente. quero não dar cabimento. ser tormenta. entalar a pedra na garganta. quero perder o escrúpulo se for preciso. é só isso. ponto.

memórias de uma vida devassa

hoje, depois de uma diária interminável de gravação, eu descobri como vou garantir minha aposentadoria. isso porque eu não passo nota quase nunca e contribuí com o inss poucas vezes. vou escrever uma autobiografia, contando detalhe por detalhe de meu trabalho. e óbvio, dando nome aos bois. futuro garantido.

20.6.07

foi naquela padaria. meio boteco/meio padoca, na esquina. daquele bairro que tem samba e tem rock tudo junto. ah, e as mesinhas no feriado. mas a gente sentou no balcão mesmo. até hoje eu não sei o motivo de nada. aliás, nem lembro as datas. ou misturei as situações. acho melhor inverter tudo. começou na noite anterior. decepcão, véspera de feriado e um vidrinho de lança perfume. zunido e compreensão. acordar sem nem ter dormido. daí foi tudo embolado e uma vista linda. violão e poesia. conversa inebriante sem nem saber que tocava fundo. tudo bem lúdico e alumiado. porque a gente é só farra e alegria. varanda e imensidão. decodificando qualquer movimento milimétrico dos seus dentes. retina. translucidando passos na escuridão. até acelerar com fogos e nós dois sairmos correndo pra rua. tão clichê e tão paulistano. o sol escaldando a nossa pele. misto quente e suco de laranja. ainda guardo os tremeares. e todas as palavras indecentes que tão decentemente me sussurrou no ouvido. ali, naquela padaria. meio boteco/meio padoca, na esquina.

19.6.07

toda vertente que escorre de meus dedos pode ser armazenada em um minúsculo vidro. essência e vísceras. lágrimas e muito sal. foi a chuva que levou de mim o que não era meu. saudade de um tempo que foi sem jamais ter sido coisa alguma. era o copo com lua. era muito veneno e solidão. era nosso pé embolado e enroscado no passo torto pra casa. nossa e minha casa. ilusão de um sonho. compasso velho que nunca fez um círculo completo. o limiar da curva (reta?). o salto que eu nunca consegui dar. foi escuro e teve um nexo. deslexo. plexo solar. ardeu em mim tão forte que ecoa até os dias. as linhas, as correntes. maré de ventania e trovoada. brilha, assim, por um simples acaso. orgasmo. tão simples e despretensioso. assim, por ser apenas. embasbacada, apenas admiro. assim, tão meu.

15.6.07

ui, eu sou realmente podre!!!!!!!

13.6.07

eu vou menino, com os olhos de brilho e um que de encanto.
eu vou menino, fazer a mironga, correr a gira, flertar com o caboclo.
eu vou menino, ainda que a cabeça rode mais que o mundo.
eu vou menino, porque senão fosse não seria eu.

não foi possível esse mês, mas isso ainda será título pra alguma coisa:

quatro estados e um só mês.

vou tentar novamente.

há de ser possível algum dia.

12.6.07

E o Rio de Janeiro continua lindo...


devassa

rampa

jojô discplicente

amo!

encontro de amigos

pede a conta????

a dama do lotação

o senhor do lotação

mulheres do lotação

ai, ai, ai...

maridas

mesa cheia!

11.6.07

como se fosse leve e apenas por ser. com alguma explicação que nem vale a pena. os detalhes ficam pra depois e vai ficando. a vista continua maravilhosa. ainda que não a veja de todo e tampouco em partes. faz parte de uma melodia. um assombro. e vira e volta. a flor ainda me sopra que tenho que dar o passo. revés, talvez. porque é tudo sempre novo, mas ao mesmo tempo é tão igual. se repetindo de um que em quando. transbordando, renovando. mesmo quando descubro é como se preferisse nem saber. porque dói e dá trabalho. e fico enfadigada só de contextualizar. é mais fácil quebrar a cara. desfazer a linha. desatar a meada. tudo bem limpo e superficial. fingindo que sou tantas que não cabem em mim. os borrões da noite toda. pedaços abandonados na neblina. o permear da plenitude. pouca carne e muita saliva. espamos, acasos. lúdica e livre, plainando no ar.

6.6.07

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

* Fernando Pessoa
** amo muito. por si só, explica tudo.

5.6.07

são tantas propostas. ai, fico perdida. a mais tranquila de todas também é a que eu mais quero. no entanto a mais longíngua. sem contexto, eu me jogo. um pulo sem sobressalto. o ácido inebria a vida. anfetamina deixa tudo mais claro. sem contar a anilina. aquele gosto amargo. desilusão no abraço.

2.6.07

das paixões












não importa como, não importa de que maneira, não importa o custo. bom mesmo é estar num set. é onde me sinto em casa.

1.6.07

seu jeito doce escancarou meu sorriso. foi o vinho com queijo que me cativou. essa tentativa de fazer a linha. a sua preocupação em ver a marca do que não me dá alergia deixou escapar uma pontinha de interesse. a pergunta de quando voltarei. sentado na cama com o dia amanhecendo. dizendo que teve que acordar super cedo só porque quis ficar e esquentar meus pés. ou o seu jeitinho no meio da noite falando baixinho que não dava pra ir embora assim... com nossos corpos embolados e emaranhados. o cabelo desgrenhado. poucas histórias e nenhuma lembrança. agora fico aqui, remoendo o jeito que te tratei. tão mal e desinteressada. a garrafa de pinga na metade. litros de cerveja descendo na garganta. não dei cabimento pra nada. apenas deixei que acontecesse. arrastei pra cama. arranquei suas roupas. mas seu sorriso-alucina não me sai da cabeça. aqui nas minas, no meio do frio e da lentidão de vida, lembro do seu cheiro. sua mão ventania. nosso desejo. ah, seu beijo...

30.5.07

o tempo. maldição que corrói a carne e aniquila sentimentos. desmagnetiza o que sempre foi mistério. evapora de mim qualquer possibilidade. como se fosse tudo por ser. banal e superficial. deixa rastros rasgados na superfície. amassa a cara na vidraça. desbarateia e tem olheiras. uma consequência. mera reação dos fatos. apaga a vista da retina. multiplica a amplidão. vagos tremeares de acaso. corrompe os limiares. tudo vai ficando igual a tudo. rostos e rostos perdidos entre tantos rostos. aos poucos vão se apagando. vira uma massa única. transmuta-nos em cascos. é, o tempo. senhor da razão que apazigua e amortiza as dores da vida. enche de sonhos o horizonte. tempo do tempo de um novo caminho. brilho no olhar.

20.5.07

nunca fui boa com escolhas. sempre fui indecisa. parece que sempre escolho a alternativa pior. que o que eu não elegi como preferido passa a ser o mais atraente. quando criança, fazia minha mãe ler todos os sabores de sorvete, mas sempre escolhia o de chocolate. até hoje eu leio todos, experimento vários e decido por chocolate e menta com chocolate. mas antes eu fico com cara de aflita, olhando as decisões dos outros. aplico essa mesma dinâmica pra tudo na vida. eu também sou clássica nas escolhas. poderia levar pra casa uma casquinha de piñacolada, ou aquele com chiclete azul. mas eu sempre fico no tradicional chocolate. pura conveniência minha. e a casquinha, também não gosto de experimentos, gosto só daquela básico cone, sem exagero na textura e consistência. o medo por descobrir algo novo e gostar muito, ou seguir a opção errada e ficar muito arrependida? acho que é um pouco de tudo e da minha inútil crença de que eu sou uma pessoa muito calma nos momentos decisivos. o que é só pra tentar me enganar, porque também sei que sou frenética e que a definição da cor da meia já me faz ter calafrios algumas manhãs. fora a instabilidade e o exagero. ou amo ou odeio. ou gosto ou não quero ver na frente. e vivo sempre com aquela rusguinha na cabeça do que poderia ser sem nunca ter sido nada.

13.5.07

o frio entrou pela janela e escancarou o momento tão meu que adentrava. foi de sopetão e eu entendi tudo. contei os minutinhos pro final. encontrar-se nos meados é tão forte que transforma qualquer viga em artéria pulsante. é o limiar do passo em falso. o nó na lã que estou cosendo. não pude nem ao menos desfrutar. uma palavra de despedida. um aceno. não dei nenhum direito. o momento é meu e só apenas. tenho o prazer de desfilar sozinha nesse palco. anos e anos esperei por isso. tão estúpida que ainda me preocupo em ser sútil. tão mulher e forte e frágil. um corridinho e um capacho. dou voltas e me embolo no meu espaço. sem limites, sem prolongas. um passo e a maré toda. foi a fogueira com lua. e muito vinho e solidão. e hoje, de sopetão, eu me encontrei. inteira, plena, coesa.

9.5.07

dor que aperta o peito. agonia forte que eu bem sei sem saber muito. não há nada que eu possa fazer. está totalmente fora do alcance de minhas mãos. tento mudar mas não vislumbro nenhuma outra alternativa. aos poucos me consome a energia. machuca, me derruba. tento seguir a vida como se você não existisse. vã desilusão. está tão dentro de mim que é quase eu. passa o tempo e meu amor apenas ameniza. mas continua todo aqui procurando se sustentar nas migalhas de você que ainda pairam nas esquinas. como se nos amarmos fosse coisa simples. como se o amor fosse possível. e minha cabeça caraminhola de um tudo pra sermos únicos. no entanto, só te tenho na retina. seu cheiro doce desce a garganta. feitiço de lobisomem que me atrai.

4.5.07

hoje acordei mais só do que qualquer outro dia. tão só que até estanca e orienta e me dá forças. solidão acompanhada, entulhada, enlatada. solidão de ser, apenas. sozinha, pequena, amorfa. eu estou só e isso já não me espanta. eu sou só, sempre.

áspero e íntrínseco. exuberante e claro. uma a uma as palavras que trituram. ainda escuto os tintilhares. dente no dente. abalo císmico. beirando a lua, dá voltas na minha solidão. é mais difícil que respirar. ilusões à meia noite. abismo de idéias pontuadas. dói, aperta e coça. profundo em mim, não há espaços que lhe sobrem. escorro o que não é denso. vertentes de uma madrugada. ecoa em mim o grito que não dei. a palavra estancada no estômago. frases inteiras incruadas no vazio. colho as lágrimas da chuva toda. foi-se a tempestade, ventania. nada mais é suportável assim. descobrir causa danos irreversíveis. a bestialidade é a arma da felicidade.

foi o tempo cheio. e foi a vida toda. sem perceber, os dias escorriam por seus dedos. não se deu conta. olhou no espelho e viu suas carnes flácidas. as rugas apontando. era tudo novo e não tinha visto. a mocidade que ficou além. outrora amou. outrora foi feliz. depois, tudo virou igual a tudo. os dias eram sempre os mesmo. acordar, trocar, lavar, comer, sair, arrumar, comer, dormir. sozinha, cara a cara com o espelho. deu-se conta do que perdeu. deu-se conta do que se foi. mas agora, plumas ao vento. argila seca, mal aprumada. no seu rosto, desilusão. no seu passo, só descompasso.

úmida e latejante. inebriada e escarlate. transcendendo qualquer força nuclear. resisto e insisto. mais forte que qualquer razão de ser. o meu casco duro. três tapas na cara e só uma dor. três socos no estômago e me mantenho inteira. coesa. livre, soberana. ilhada e atada. pedra dura tanto bate que fura. quebra as partes. lasca a carne. estilhaçada, abrupta. vagueio desnorteada. não há motivo que reflita. regorgito, anuncio. sou mais uma, apenas.

"Há mais cousas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia" - 2

conflito de idéias. correlação. há mais de mais de mim. nem eu mesma reconheço. mudou-se o nó que atracava o mundo. cortou-se o fio que segurava a trama. tão forte que machuca. comprime em mim o que há de mim. tão denso que sufoca. amassa, aperta e geme. tão grande que não cabe aqui. nem emprestando um pouco. intensa luz que me acolhe. gira com tamanha desenvoltura que apenas observo. não há mais sustento que petrifique. deu-se o início e foi fulminante. talvez quando tudo era claro escuro era mais fácil. tudo subliminarmente subentendido. nada definitivamente compreendido. agora sou eu e mais o mundo. sou eu encarando a existência. sozinha, aflita, incontida. não há como recolher as migalhas que me sobram. todas extremamente valiosas. não há contento em existir. pura, obstante, difusa, dispersa. sigo o caminho que não tem mais retorno. foi-se o tempo ardendo em labaredas. foi-se o coração tranquilo. agora que tudo foi dito, incontido, ficou mais difícil existir-te sem ser. incurável dor de uma saudade. oriunda.

é não adianta. chega o dia que ando e ponto. tudo conspira. o fato é que não consigo dar fim a nada. até me esmero e boto empenho. mas sempre, sempre me enrosco e vou arrastando um fiapinho da meada. quando dou por conta já emaranhou tudo. fica aquele gosto de amargo na garganta. tudo não degludido. e já não dou conta do que sou ou fui ou era. só porque não sei dar fim aos meios. do mesmo jeito que saio da festa sem dar tchau. confunde tudo e vira um acaso. aquela sensação de tempo perdido. fazendo algo que não quero mas não sei dizer direito. ou que quero ainda que sem querer. parecido muito com dançar a música que estiver tocando. talvez porque seja mais fácil e prático. incluindo aí um certo ostracismo que acompanha a maré. como se apenas eu estivesse parada na pista enquanto todos arrastam a marcha rotineira. tão banal que passa como corriqueiro. fico assim, com a cara colada na vidraça. olhando a chuva que ainda não cai do lado de fora. vasculhando os espaços que me somam. meros compassos de solidão.

2.5.07

ahã ahã...
pára tudo!!!
eu tenho certeza

QUERO DIVERSIFICAR A MASSA!

1.5.07

para menina flor

o seu olhar melhora o meu. porque o tempo passa e você vai cada vez sabendo mais e me ensinando tudo. porque com seu abraço eu percorro o mundo em alguns segundos. e porque a gente se diverte e dá risada e rola na grama e anda na terra. e porque eu te dou qualquer coisinha e você acha o máximo. e a gente faz de tudo uma folia. e eu até sinto medo no bondinho, mas finjo que sou durona só pra você se divertir. porque eu empurro o balanço e você adora ficar bem alto. e porque seus olhinhos são duas jabuticabas brilhantes que querem saber o que de tudo. e você chega e eu páro o que tô fazendo só pra ficar mais um cadinho contigo. e porque você se enrola toda nos fios do cachecol mas eu nem consigo dar bronca quando vejo essa cara de minhoca. porque com você cada minuto faz sentido e jamais é tempo perdido. é porque você é o meu maior amor no mundo.